História



Formamos uma Sociedade de Vida Apostólica chamada "Companhia das Discípulas do Divino Pastor". Trata-se de uma forma, dentre tantas surgidas na Igreja, para se viver a Vida Consagrada a Deus no serviço do Reino.
Fundada no dia 01 de Agosto de 2000 - ano jubilar - em Diamantino/Mato Grosso.


Enquanto era pároco em São José do Rio Claro/MT, nosso fundador começou a ter alguns pensamentos e também sentimentos que o perturbavam. Eles o faziam refletir sobre a realidade diocesana tão carente de material humano para a evangelização e qualquer trabalho pastoral. Eram dois padres diocesanos e a maioria das nossas paróquias não tinha a presença de religiosas consagradas.
A realidade de toda a diocese que ele contemplava apresentava-se como um grande desafio. Começou a sentir uma coisa estranha dentro de si: uma vontade de iniciar uma obra diocesana para ajudar no trabalho pastoral da Igreja.

Era o ano de 1999, quando padre ainda muito jovem, com 26 anos de idade, movido por um grande amor à Igreja e sensibilizado com as suas necessidades, sentiu uma inspiração muito forte para iniciar uma Sociedade de Vida Apostólica de Irmãs Diocesanas, que estivessem à disposição para o trabalho pastoral com o povo de Deus nas paróquias e tivessem vínculo territorial, oferecendo sempre ao Bispo a segurança de permanência e continuidade.  Esta inspiração foi se tornando inquietação e aos poucos até "atrapalhando" seu trabalho, porque roubava-lhe continuamente a atenção e tirava-lhe até mesmo a paz. Tentava esquecer, mas não conseguia.

Nesta mesma época foi enviado pela Diocese para um Curso de Formadores promovido pela Santa Sé em Roma – é que no ano seguinte (2000) ele iria reabrir o Seminário Menor em Diamantino e assumir a formação dos seminaristas, especialmente porque já estava trabalhando desde que foi ordenado com a promoção e animação vocacional. Em Roma, mesmo na acelerada correria em função do curso que era intensivo, perseguia-lhe a ideia da fundação de uma Companhia Diocesana de Irmãs.

Depois de algumas semanas em Roma, conseguiu agendar uma Missa particular na Capela Clementina, junto ao Túmulo do Apóstolo Pedro. Desde que se inscreveu e depois quando se preparava para esta Missa, tinha uma única grande intenção: que se esta ideia da fundação fosse puramente humana e pessoal, à partir daquela celebração fosse banida e, se de repente fosse mesmo de Deus, que se clareasse e se consolidasse.  Precisava de um discernimento.

Chegou o dia da Santa Missa! Preparou-se e, da sacristia um coroinha da Basílica Vaticana acompanhou-o para responder a missa que seria em latim.  Na Capela, às 6h da manhã, estavam apenas os dois. Sua cabeça “fervia” ribombando aquela intenção de que fosse revelado por Deus o “não” ou o “sim”. Quando terminou a Missa, que era cronometrada de meia hora, e virou de frente, a pequena capelinha, sem que ele tivesse percebido entrarem, estava cheia de Freiras do México que estavam indo para uma missão na África. Dirigiu a elas algumas palavras e deixou a Capela. Enquanto caminhava com o coroinha em direção à Sacristia, inexplicável: no seu imaginário passava como que um "filme" descortinado e ele podia ver com nitidez tudo como deveria ser e como deveria fazer. Saiu do Vaticano flutuando e com uma alegria interior muito grande, pois não tinha dúvidas de que Deus havia lhe ouvido e dado a sua resposta providente. Mas ele estava atordoado e já sentia um certo temor, vendo-se tão pequeno para algo tão sério que iria mudar, inclusive, a sua vida e ministério presbiteral.

Deus falava ao seu coração de uma forma tão clara que ele já era capaz de conhecer e reconhecer muita coisa, como por exemplo: a quem deveria convidar, como a Obra iria se chamar, qual seria o Carisma, a Espiritualidade, como iriam se vestir, qual deveria ser a identidade e a missão da Obra ... Tudo já parecia tão claro e da vontade de Deus que já começou até a adquirir algumas coisas para trazer, mas em segredo (um segredo que durou ainda quase um ano).

Alguns dias depois, na praça de São Pedro, encontrou-se com o Cardeal brasileiro Dom Lucas Moreira Neves. Conversaram e falou-lhe da sua vontade de encontrar-se pessoalmente com o Papa João Paulo II; era um sábado pela manhã. No dia seguinte, domingo à noite, o telefone do seu quarto, no Pontifício Colégio Espanhol, tocou. Era o secretário particular do Papa, Dom Stanislaw Dziwicz, hoje Cardeal Arcebispo de Cracóvia - Polônia, pedindo-lhe que estivesse às 6h da manhã da segunda-feira (dia seguinte) diante da Porta de Bronze para concelebrar com o Papa em sua Capela particular. Ficou radiante e agradeceu muito a Deus, pois é difícil conseguir tal graça em tão curto tempo; e se preparou naquela noite.  Muito cedo deslocou-se a pé e por fim de táxi, pois os ônibus estavam demorando muito, até o Vaticano; seu coração estava muito acelerado pela emoção. Em dado momento, um secretário executivo do Papa se apresentou e começou a chamar os inscritos para subirem à Casa Pontifícia. Não o chamou. Todos entraram, menos ele. Tentou falar, explicar ... Mas tudo em vão. Porém não foi embora. Mesmo com as portas fechadas ficou ali. Um padre que havia entrado no grupo dos chamados, quando chegou à Biblioteca do Papa, disse ao secretário que havia um padre lá fora e que não o haviam deixado entrar. Imediatamente Dom Stanislaw se lembrou que havia lhe convidado de última hora e que seu nome não estava mesmo na lista. Mandou buscá-lo lá embaixo e ele mesmo foi ao seu encontro explicando-lhe o que havia acontecido.

Após uma preparação entraram na Capela Pessoal do Papa para a Santa Missa. Eram umas quinze pessoas. Depois da celebração o Santo Padre veio até sua biblioteca acolher, saudar e falar com cada um. Nosso fundador teve a graça de falar com ele algumas palavras e pedir-lhe que abençoasse a Obra que haveria de iniciar, abençoando os crucifixos e medalhas que as Irmãs haveriam de usar (ele havia levado numa sacolinha as coisas que já tinha adquirido para a Fundação). Sentiu grande consolação!

Quando regressou de Roma, precisava enfrentar uma grande batalha: falar com o Bispo sobre o assunto e pedir permissão. Ensaiou para esta conversa durante oito meses. Num dia, viajando com o Bispo a sós para Cuiabá, encheu-se de coragem, porém com muito temor, e falou-lhe o que precisava a respeito. Foi grande a sua surpresa: Deus já havia preparado o coração de Dom Canísio e a sua resposta foi de incentivo, de apoio, de acolhimento. O passo seguinte foi expor a ideia e o projeto para o Clero da Diocese, para o Conselho Diocesano e até para o povo em algumas Assembleias - a pedido do senhor Bispo.

Inicia-se, então, o processo de preparação para a entrada da primeira candidata, a Irmã Nilde dos Santos, jovem leiga de São José do Rio Claro, com quem o padre fundador já tinha trabalhado durante os dois anos que foi pároco naquela cidade. Com a chegada da primeira candidata, marcou-se o dia da Fundação da Companhia Diocesana das Discípulas do Divino Pastor – dia 1º de Agosto do Ano Santo 2000.
A candidata foi acolhida no próprio Seminário em Diamantino onde o padre estava como Reitor e logo outras candidatas, que já estavam sendo acompanhadas pelo SAV – Serviço de Animação Vocacional nas paróquias, foram sendo convidadas para encontros e algumas foram sendo admitidas para a Formação. Um pequeno espaço (dormitório) foi concedido no Seminário para a Comunidade inicial da Companhia se fixar, durante nove meses.

Nas imediações do Seminário, no meio da pastagem do gado, havia uma casa velha abandonada que, na década de sessenta abrigava o motor gerador de energia. Com a chegada da rede elétrica, esta casa ficou desocupada e servia para abrigo das vacas e ovelhas e também para morada de morcegos e insetos. O padre teve uma inspiração: pedir ao bispo aquela casa velha, já desmoronando. Pediu a ele e foi concedida. Irmã Nilde (chamada de co-fundadora) e o padre fundador reuniram suas economias todas, pediram ajuda a algumas pessoas e começaram corajosamente e entregues pela oração, a recolher os entulhos, expulsar os bichos, fazer limpeza, arrancar algumas paredes apodrecidas, ampliar a casa, pois era muito pequena, construir varanda, trocar o telhado, janelas e portas e demarcar o espaço, cercando o quintal. Não foi fácil! Nesta empreitada fizeram, mais uma vez, o experimento da Divina Providência que, diante das despesas com a reforma/construção e do seu nada na pobreza, sempre lhes reservava, depois de muita aflição e angústia, a surpresa de alguém que os ajudava, especialmente um senhor chamado Renato de Abreu, do Estado do Rio de Janeiro. Críticas não faltaram, especialmente por parte de religiosas e religiosos que, por ciúmes e maldade, tentavam atrapalhar disseminando comentários de deboche, desconfiança e de torcida para não dar certo.
                
Uma coisa dentro do fundador era certa e inquestionável: temos que nascer na Pobreza e provados pelo Sofrimento. Esta obra é de Deus e vai ser regada pelo suor da nossa doação, pelas lágrimas da nossa humilhação e pelo sangue do nosso amor ao Divino Pastor e ao Rebanho.

Por fim, no dia 1º de Maio de 2001, sob a proteção e intercessão de São José Operário, o bispo Dom Canísio e o padre realizaram a bênção da casa reformada e transformada, e as Noviças, Postulante e Aspirantes puderam habitá-la, formando assim a primeira comunidade da Casa-Mãe da Companhia das Discípulas. A Casa-Mãe recebeu o nome de “Fraternidade Santíssima Trindade”.

Nos primeiros tempos da Fundação, as nossas Irmãs e formandas, por necessidade da Diocese e também para sobreviverem, doavam-se nos trabalhos domésticos (cozinha, limpeza e lavanderia) do Seminário e do Bispado. Esse trabalho humilde, mas feito com muito amor e alegria, também despertava críticas e chacotas desagradáveis, especialmente por parte de outras congregações; como também por nossas Irmãs usarem hábito.

Aos poucos as Irmãs começaram a se envolver pastoralmente na comunidade e também na área da educação como professoras, e as vocações foram aumentando.   A Casa-Mãe já estava cheia, meninas com data marcada para ingressarem ... onde colocá-las?

Mais uma vez a Providência de Deus não faltou. A Diocese recebeu uma casa na Paróquia de Nortelândia onde, por vários anos havia funcionado uma Maternidade, e o Bispo disse ao padre que só aceitaria se as nossas Irmãs ocupassem a casa e servissem pastoralmente aquela comunidade. Nortelândia é uma cidade muito simples, com muita pobreza e as Irmãs deveriam especialmente trabalhar no âmbito social e assistencial. O padre aceitou a proposta, porém um novo desafio. A casa estava fechada há alguns anos e, por isso muito danificada. Precisava de reformas e adaptações para acolher a comunidade das Irmãs.  Foi mais uma luta! Economias, sacrifícios, pedidos de ajuda a pessoas ... A diocese também ajudou a equipar a casa que passou a ser chamada de Centro Social Diocesano.

No dia 12 de Março de 2002 realizou-se a celebração de bênção da casa de Nortelândia. A segunda casa da Companhia – “Fraternidade Divina Pastora”. Erigiu-se aí a Comunidade Formativa do Aspirantado e Postulado. As Irmãs realizaram nesta cidade um maravilhoso trabalho com as pastorais todas, na secretaria paroquial, nas escolas e no atendimento aos mais pobres.

Foi solicitada a presença e o trabalho pastoral das nossas Irmãs na Paróquia de Nova Mutum. A comunidade local construiu a casa para as Irmãs e as acolheu no dia 23 de Janeiro de 2004.  A terceira casa da Companhia recebeu o nome de “Fraternidade São José”.  As Irmãs inseriram-se aí diretamente em todos os trabalhos pastorais da paróquia e na área da educação.
                        
Desde a Fundação, a Companhia contou com a ajuda direta, programada e regular de uma Consagrada para a Formação das Aspirantes, Postulantes, Noviças e até Professas. Trata-se da Ir. Sarvelina Maria Nicolodi, religiosa da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição por muitos anos e já há vários anos Consagrada pela Diocese. Era professora aposentada e suficientemente capaz de conduzir e lecionar os temas relacionados em nosso conteúdo programático para as etapas de formação. Além da assistência sistemática da referida Irmã que semanalmente ministrava os conteúdos, tínhamos sempre uma Irmã Discípula escolhida e nomeada como Mestra das formandas.


Hoje, com várias Irmãs Professas e formandas, a Companhia também oferece acompanhamento a vocacionadas que se preparam para entrar. Após a Consagração Religiosa, normalmente as Irmãs são encaminhadas para cursarem Faculdade. A formação permanente também acontece através de cursos, treinamentos, capacitações e estudos feitos em comum.

Atualmente as Irmãs assumem variados trabalhos pastorais.  A saber: 
  • Estão inseridas na Catequese (ministrando catequeses especiais, coordenando a catequese a nível paroquial e diocesano, e promovendo a formação dos catequistas nas comunidades).
  • Coordenam e trabalham na Pastoral da Criança, acompanhando as gestantes e as crianças menos favorecidas e promovendo a capacitação de líderes leigas para tal trabalho.
  • Assistem aos enfermos regularmente com visitas domiciliares e hospitalares provendo o conforto espiritual, levando a Eucaristia e promovendo a assistência médica e outras aos doentes mais carentes, num trabalho de Pastoral da Saúde organizado.
  • Ajudam na articulação e preparação das Liturgias e no zelo pelas igrejas e coisas do altar.
  • Assistem as famílias pelo aconselhamento, oração, visitas e trabalho junto à Pastoral Familiar e Movimentos Familiares.
  • Acompanham e assessoram a Pastoral da Juventude e do Idoso nas comunidades.
  • Dinamizam e coordenam pastorais sociais como: Sobriedade, Carcerária e da Aids. Acompanhando também as famílias dos dependentes químicos, encaminhando-os a centros de recuperação e provendo sua reinserção social, comunitária e familiar.
  •  Integram e ajudam na coordenação da Pastoral Vocacional.
  • Acompanham e dão assistência espiritual a alguns movimentos, tais como: RCC (Renovação Carismática Católica), Lareira (Movimento Familiar), Apostolado da Oração, Cenáculo, Infância Missionária, etc.
  • Estão presentes nos Meios de Comunicação, desenvolvendo programas radiofônicos diariamente e também de TV.
  • Coordenam e dinamizam os trabalhos junto ao Centro Diocesano de Pastoral na sede da Diocese em Diamantino.
  • Ajudam diariamente no atendimento às comunidades rurais, promovendo sua organização, implementando pastorais e animando-as através da música nas liturgias (com o padre e às vezes sozinhas).
  • Na falta do sacerdote, presidem celebrações da Palavra, distribuem a Eucaristia, realizam Pregações, celebram Funerais, ...
  •  Organizam, pregam e animam encontros de oração nas comunidades.

Dado o exposto, resta-nos entoar, com a Virgem Mãe – Divina Pastora com Jesus – o hino do Magnificat que nos permite louvar, agradecer e engrandecer o Senhor que olha para os pequenos e realiza grandes coisas em nós, por nós e através de nós.

Em tudo e acima de tudo não há no coração do Fundador e tampouco no coração das suas filhas Discípulas de Jesus Pastor uma outra pretensão a não ser esta: SERVIR, SERVIR, SERVIR, com Amor!

Ao Filho Jesus,
com a Mãe Maria,
no Coração da Igreja.





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